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Homenagem Motostory / ICGP Brasil

O resgate da história da motocicleta no Brasil e o reconhecimento daqueles que fizeram a história acontecer. Este sempre foi o propósito maior do projeto Motostory. Em outubro de 2016 aconteceu no Brasil a última etapa do ICGP, ou International Classic Grand Prix. O evento, organizado pelo francês Eric Saul, ele mesmo um vencedor de etapa do Mundial, reúne as motocicletas que marcaram época entre os anos de 1970 a final de 1980. A etapa brasileira do evento, batizada de ICGP Brasil, foi organizada por Bob Keller, ele também um piloto do ICGP, colecionador de motos clássicas de corrida e, entre outras coisas, responsável pela introdução da Porsche Cup no Brasil.

Bob Keller, o idealizador do ICGP Brasil – Foto Eduardo Ibañez / ICGP Brasil

A associação do ICGP Brasil com o Motostory para a realização das homenagens em Goiânia parecia natural. “Eu já acompanhava o trabalho feito pelo Carlãozinho com o Motostory e achei que podíamos juntar forças para as homenagens em Goiânia. Foram homenageados nossos inesquecíveis heróis das pistas, da época de ouro da motovelocidade brasileira. Foi ótimo fazermos juntos. Conseguimos levar a Goiânia algumas personalidades marcantes da nossa história.” disse Bob Keller pouco depois do evento.

Homenagem ICGP Brasil e Motostory aos TZudos, em Goiânia, 23 de outubro de 2016. Na foto aparecem, da esquerda para a direita: As filhas de Adu Celso, Gabi e Carol, Luiz Senise acompanha Edgard Soares (Neto), Roberto Boettcher, Edmar Ferreira, Marco Greco, Milton Cigano Adib, Cristiano Vieira, Bob Keller (ICGP) Sidão Scigliano, Jacinto Sarachú, Lucílio Baumer, Kurt Feichtenberger, Julio Castroviejo representado o pai Paulinho, e Othon Russo. Foto Heraldo Galan / ICGP Brasil / Motostory

 

Tudo começou alguns meses antes, sem mesmo termos em mãos todas as confirmações necessárias. O que oferecer, como realizar a homenagem, quem apoiaria a iniciativa, quais pilotos ou familiares poderiam estar presentes, tudo definido e realizado por um pequeno grupo de abnegados. Nomes importantes não puderam estar presentes, pelos mais diversos motivos. Outros conseguiram alterar suas agendas para garantir presença. “Não perco isso por nada,”  – garantiu Cigano meses antes da prova. Maisa, sua esposa e companheira de vida confirmou: “O Milton ficou louco. Parou de fumar, resolveu perder peso e até foi para a academia, tudo o que eu vinha pedindo a ele há anos, aconteceu num piscar de olhos.”

Cigano: piloto aos 70 anos – Foto Eduardo Ibañez / ICGP Brasil

Além de podermos ver novamente na pista gente do calibre de Marco Greco, O Lagartixa, Cigano, Sidão Scigliano, Roberto Boettcher, Othon Russo e Edmar Ferreira, ainda tivemos a honra de receber Lucílio Baumer, Kurt Feichtenberger, Jacinto Sarachu, que veio do Uruguai especialmente para o evento, Miguel Panades, Francisco Moreno, o Paco, Marcelo Peixoto… alias, aqui faço um parenteses:

(Marcelo Peixoto é um dos mais competentes mecânicos / preparadores / restauradores da nova geração. Treinado pelas principais marcas de motocicletas do mundo, é o responsável pela oficina Tec Motors, parceira da MotorsCompany e preparador da Yamaha R1 Campeã das 500 Milhas de Interlagos em 2016, pilotada por Leandro Mello e Alan Douglas. Em Goiânia, diante de gente como Paco e Sarachú, Peixoto parecia uma criança deslumbrada olhando seus ídolos.)

Jacinto Sarachú, de costas, é tietado por Marcelo Peixoto (boné bege Motostory), Tec Motors / Motors Company – Foto Carlãozinho Coachman / Motostory

Foi um final de semana marcado pela emoção, do início ao fim. Primeiro, a emoção de retornar a Goiânia para ouvir o som das motocicletas 2 tempos mais uma vez depois de décadas… sentir aquele perfume de óleo misturado à gasolina especial… ver novamente as motos rasgarem a reta de quase 1 km gritando… encontrar nossos ídolos ou seus familiares… ouvir lembranças, ver e ter lágrimas escorrendo no rosto…

 

Edmar Ferreira emocionado ao encontrar com Carol Santos, filha do amigo e companheiro das pistas Adu Celso – Foto Eduardo Ibañez / ICGP Brasil

 

Em Goiânia, muitos e muitos anos atrás, fui apresentado a Kenny Roberts (The King), por outra lenda em termos de preparação: Masaharu Tanigawa, o Tani. Ganhei um boné assinado pelo King que infelizmente perdi ao longo da vida. Mas, o simples fato de pisar uma vez mais em Goiânia para ver e ouvir aquelas motos… “engasguei de novo!”

Tato Velludo deslumbrado em Goiânia, durante o ICGP Brasil 2016. A TZ com o mítico 9 de Gualtiero Tognocchi e a camiseta do Tucano – Foto Alexandre Heredia Seixas

Tato Velludo, grande piloto e preparador, também foi a Goiânia. Ligou antes para se certificar de que conseguiria estar no box: “Pode vir Tato, o evento é pequeno ainda, e nosso. Todos os que amam este esporte e entendem o significado deste evento são bem vindos, ainda mais alguém com a sua Motostory.” Ai, a surpresa: “Trouxe isso para você. Uma bota de Eddy Lawson! Calma, antes que você fale qualquer coisa, esta bota ele me deu aqui mesmo em Goiânia, durante o GP… o outro pé não sei para quem ele deu. É do Motostory agora!”

 

A bota de Eddy Lawson usada em Goiânia nos anos 80, foi um presente de Tato Velludo ao Motostory – Foto Carlãozinho Coachman / Motostory

As corridas foram emocionantes, como deveriam ser, e a performance de nossos pilotos foi memorável. Othon “Voador” Russo entrou numa epopeia para conseguir recuperar sua TZ em tempo de estar no evento. Durante os dois dias de treinos, quase enlouqueceu para fazê-la funcionar direito. “Não vou desistir não. Eu vim até aqui! Ela vai andar nem que seja um pouco!” Perseverante e lutador incansável, conseguiu realizar o sonho de pilotar sua moto em Goiânia.

Celebração pelo pódio de Boettcher na segunda bateria em Goiânia, com Othon Russo e Kurt Feichtenberger – Foto Eduardo Ibañez / ICGP Brasil

 

Os herdeiros

 

Se alguém ainda não tinha derrubado uma lágrima, foi praticamente impossível resistir à presença dos herdeiros de Edgard Soares, Paulinho Castroviejo  e Adu Celso. Para os pilotos que conviveram com eles, poder conhecer ou reencontrar com filhos e netos foi impagável. Edgard Soares Neto, acompanhado do tio Luiz Senise, foram a Goiânia e fizeram questão de empunhar a flâmula com a imagem do 46 mais importante da nossa história.

Edgard Soares Neto e Luiz Gustavo Senise seguram a Wind Flad da lenda Edgard Soares – ICGP Brasil 2016 – Foto Carlãozinho Coachman / Motostory

 

Julio Castroviejo, filho da Sonia e do Paulinho, ele também um piloto, foi a Goiânia receber uma medalha em nome dele. Chorou de emoção ao ver de perto a Ducati 750 que foi de seu pai, lindamente restaurada por Toninho Lopes e sua equipe.

 

Julio Castroviejo foi a Goiânia receber a homenagem em nome do pai, Paulinho Castroviejo – Foto Acervo pessoal

 

As filhas de Adu Celso, Gabi Neves e Carol Santos estiveram em Goiânia acompanhadas da mãe, Zinda. Gabi ainda levou o marido Alexandre Hell e o filho João, neto de Adu… sei que a língua portuguesa é repleta de palavras maravilhosas, mas é nesta hora que elas desaparecem da nossa mente. É difícil traduzir em palavras os sentimentos vividos naquele dia.

 

Gabi Neves, filha de Adu Celso, com o filho João, neto do nosso campeão, admirando a moto com a qual Adu brilhou nas pistas. Foto Acervo pessoal.

 

Ao final a certeza de que, se ainda não atingimos o patamar desejado em nosso trabalho, nem na captação das histórias, nem nas homenagens feitas, estamos definitivamente no caminho certo. Histórias antes esquecidas estão sendo propagadas pelos meios e eventos especializados… e este é o nosso papel.

 

Motostory agradece a confiança do ICGP Brasil, de pilotos, personagens e familiares.

 

4 comments

  1. Quero deixar aqui o meu agradecimento ao meu amigo Carlãozinho, idealizador do Motostory, e ao Bob Keller, responsável pelo ICGP Brasil, sem vcs nada disso seria possível!!! Um forte abraço a todos vcs!!!

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