Ribeirão Preto – Motostory Brasil https://d87.281.myftpupload.com A História da Motocicleta no Brasil Thu, 26 Oct 2017 18:37:01 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.4.3 https://d87.281.myftpupload.com/wp-content/uploads/2016/09/cropped-MOTOSTORY_LOGO_OLDIE2_MS2-32x32.jpg Ribeirão Preto – Motostory Brasil https://d87.281.myftpupload.com 32 32 Fragmentos da História – Semanário O Guidão, de 1949 https://d87.281.myftpupload.com/pt/fragmentos-da-historia-semanario-o-guidao-de-1949/ https://d87.281.myftpupload.com/pt/fragmentos-da-historia-semanario-o-guidao-de-1949/#comments Thu, 26 Oct 2017 18:35:53 +0000 https://motostory.com.br/?p=1948 Reunir os Fragmentos da História talvez seja uma boa forma de descrever o trabalho feito aqui no Motostory. Muitas vezes o que recebemos ou encontramos são, literalmente, fragmentos… de albuns, de jornais, revista, fotografias ou memórias. Como um dia falamos eu e o amigo Vinicius Caires, tratá-se de um trabalho de colcha de retalhos… ou fragmentos…

24 de junho de 1949 – O Guidão: Semanário do Ciclismo e do Motociclismo – Custava apenas Cr$ 0,80 (oitenta centavos de cruzeiros)

Receber algumas edições da revista MOTOCICLISMO da década de 1940 das mãos de Edgard Soares nos trouxe mais luz sobre nosso trabalho… e também um rastro de outra publicação da época, um jornal chamado “O Guidão – Semanário do Ciclismo e do Motociclismo”. São algumas paginas apenas, de diferentes edições, em condições que exigem cuidado no manuseio. Realmente fragmentos da história.

 

Mas, para nossa felicidade, existem boas e legíveis reportagens e anúncios, alguns completos, outros não, como é o caso desta. A que transcrevemos aqui foi publicada em 24 de junho de 1949 e retrata uma série de provas realizadas em Ribeirão Preto. A reportagem foi escrita por uma mulher, “Nossa enviada especial” que, por incrível que pareça, não foi identificada. Uma parte importante da matéria está faltando, justamente a que relata parte das competições. Mas o conteúdo existente é tão relevante, com tantos detalhes da época, local da prova, a cidade de Ribeirão Preto de então, a confeitaria Rio Pardo, as impressões da reporter e de diferentes personagens, que achamos que valia muito a pena publicar o que temos. Além disso, encontramos também no album de Edgard Soares fotos não publicadas que mostram um pouco mais do trajeto onde esta cometição se realizou, no prédio da Escola Prática de Agricultura.

 

24 de junho de 1949 – O Guidão: Semanário do Ciclismo e do Motociclismo – Fragmentos de um passado não muito distante

Embora o texto não apareça na integra pois parte da reportagem foi cortada, a quantidade de informação legível nos obriga a publicar 100% do que conseguimos ler. Assim, segue:

 

O dia do Motociclismo em Ribeirão Preto

Estupenda vitória de Felipe Carmona enquanto Edward Pacheco, Joaquim Alves, Edgard Soares e Eloy Gogliano, ganham as outras provas

(Fotos Gildo Pedrozzi)

(Da nossa enviada especial)

Domingo, 19 de junho de 1949, Ribeirão Preto amanheceu para a vista… Pelo menos é grande o movimento, hoje cedo, em frente ao hotel da 15 de novembro, onde se encontram hospedados quase todos os concorrentes paulistas e representantes da Federação e dos clubes.

A reporte chegou cansada, e encasacada, depois de uma estafante e fria viagem pela Mogiana*. Mas o sol matinal e acolhedor da linda e rica cidade do oeste e do café, obriga-a, com seu cálido e simpatico sorriso, a desembaraçar-se do seu pesado casaco e a movimentar-se entre aquela aglomeração heterogênea, observando, conversando e entrevistando, tomando notas.

A passeata da Praça XV

O programa anteriormente organizado, incluia uma passeata dos corredores, na praça, às 9 da manhã. A reporter foi tomas as deliciosas vitaminas (Suco de Frutas) na Confeitaria Rio Pardo e veio correndo para ver a passeata. Mas não houve passeata. Rapazes de bicicleta e sem bicicleta, de motocicleta e sem motocicleta, enchiam a praça, investigando, aproximando-se, curiosos e interessados das maquinas, como de bichos estranhos, e dos corredores também. Olham-nos, procuram falar com eles, ou pelo menos ouvir o que estão dizendo. Identificá-los. Ali está Joaquim Alves com o seu elegante “fardamento” verde, coma pelucia da gola. (Como vem, a reporter não pode deixar de se preocupar também com essas coisas). Sentado, diplicentemente, num dos bancos do passeio, em frente ao hotel, cercado de curiosos e admiradores latentes, , ninguém diria que em seu olhar sisudo já perpassam vislumbres da muito próxima vitória.

Mais adiante, aqui e acolá, espalhados entre o publico, Felipe Carmona, simpatico e gentil. Hugo Moradei, Luiz Bezzi e varios outros, todos amáveis e sorridentes, seguros de seu valor. Entre eles, varios rapazes de Pirassununga, todos com suas motocicletas em excursão a Ribeirão Preto para assistir à provas e criar e consolidar o intercâmbio esportivo entre as duas cidades paulistas.

Sorteio e escalação para as provas

Subimos ao hotel. Os Srs Mario Ricca e Emilio Laporta, técnicos da F.P.C.M.**, nos dão todas as informações necessárias sobre as provas: sorteio, escalação, etc. Ali está também o muito jovem Edgard Soares, “o diabo louro” (se Schernick o permitir) do motociclismo paulista.

Temos a ata lavrada, sábado a noite, no próprio hotel, a qual transmitimos aqui a titulo de curiosidade. e documentação. “Ata de abertura dos trabalhos para a prova motociclistica do II Circuito Motociclistico de Ribeirão Preto,  em homenagem ao Governador Adhemar de Barros. Aos dezoito dias do mês de  junho de 1949, às 20,30 horas, no salão do Hotel Palace, em Ribeirão Preto, compareceram os senhores representantes dos clubes infra-assinador, na frente dos quais foi pela Comissão Técnica de Motociclismo da Federação Paulista de Ciclismo e Motociclismo, feito o sorteio para a colocação dos corredores das varias categorias na pista da Escola Prática de Agricultura desta cidade, para as corridas a serem realizadas amanhã, dia 19, às 13,30 horas, verificando-se o seguinte:

1a Prova: Categoria 250 e 250 cc

1a Fila: Gavioli (sem numero); Hugo Moradei (9); Luiz Latorre (3); 2a Fila: Eloy Gogliano (13); Joaquim Alves (42); Osvaldo Diniz (18); 3a Fila: Angelo Pagotti (17); Plinio Faccio (83)

2a Prova: Categoria 350 e 500 cc

1a Fila: Hugo Moradei (9); Osvaldo Diniz (18); Edgard Soares (46); 2a Fila: Arnaldo Razzante (70); Alberto Chaguri (86); Felipe Carmona (2); 3a Fila: Antonio Orlando Guardino (58); Eloy Gogliano (13)

3a Prova: Categoria Força Livre

1a Fila: Hugo Moradei (9); Osvaldo Diniz (18); Arnaldo Razzante (70); 2a Fila: Felipe Carmona (2); Osvaldo Placido (88); Hugo Moises (52); 3a Fila: Edwardo Pacheco (20); Antonio Orlando Guardino (58); Angelo Pagotti (17)

4a Prova: cAtegoria 500 Especial

1a Fila: Edgard Soares (46); Luiz Bezzi (1); Eloy Gogliano (13); 2a Fila: Felipe Carmona (2); Luiz Latorre (3); José Cirilo (25) 3a Fila: Waldomiro Pieski (21); Hugo Moradei (9); Edwardo Pacheco (20)

Nada mais havendo a tratar, foi a presente ata encerrada, sendo assinada pelos representantes e Comissão Técnica da Federação Paulista de Ciclismo e Motociclismo.

Mario Rica, Dr. Joaquim da Silva Mendes, Alfredo Abrosio, José Ramos Garcia, Emilio Laporta, Harison Costa, Francisco Mastroiani, Ciclo Moto Clube Riberopretano.

Representantes dos Clubes filiados à FPCM: Ernesto Pellegrino, Dante Roba, Walter Calza, Belmiro Tocantins Franco Bezzi .

24 de junho de 1949 – O Guidão: Semanário do Ciclismo e do Motociclismo – Edward Pacheco (20)

Lista de corredores em cada prova:

1a Prova: Sem numero – Gaviolli. (Ribeirão Preto): 9Hugo Moradei (São Paulo – Centauro M. C.); 3Luis Latorre – São Paulo – S. E. Palmeiras); 13 – Eloy Gogliano (São Paulo – Centauro M. C.) 42Joaquim Alves (São Paulo – Piratininga M.C.); 18Osvaldo Diniz (São Paulo – Piratininga M.C.); 17Angelo Pagotti (São Paulo – Piratininga M.C.); 83Plinio Fassio (Ribeirão Preto – M.C. Riberopretano).

2a Prova: 9 – Hudo Moradel (São Paulo – Centauro M.C.); 18 – Osvaldo Diniz (São Paulo – Piratininga M.C.); 46Edgard Soares (São Paulo – Piratininga M.C.); 70Arnaldo Razzante (Santo Andre Velo Clube); 86 – Alberto Chaguri (Ribeirão Preto); 2 – Felipe Carmona (São Paulo – Piratininga M.C.); 58Antonio Orlando Guardino (São Paulo – Piratininga M.C.); 13 – Eloy Gogliano (São Paulo – Centauro M.C.)

3a Prova: 9 – Hudo Moradel (São Paulo – Centauro M.C.); 18 – Osvaldo Diniz (São Paulo – Piratininga M.C.); 70 – Arnaldo Razzante (Santo Andre Velo Clube); 2 – Felipe Carmona (São Paulo – Piratininga M.C.); 88 – Osvaldo Placido (Ribeirão Preto); 52 – Hugo Moises (São Paulo); 20 – Edward Pacheco (São Paulo); 58 – Antonio Orlando Guardino (São Paulo); 17 – Angelo Pagotti (São Paulo)

4a Prova: 46 – Edgard Soares (São Paulo); 1 – Luiz Bezzi (Santos M.C.); 13 – Eloy Gogliano (São Paulo – Centauro M. C.); 2 – Felipe Carmona (São Paulo – Piratininga M.C.); 3 – Luis Latorre São Paulo – S. E. Palmeiras); 25 – José Cirilo (São Paulo); 21 – Waldomiro Pieski (São Paulo); 9 – Hugo Moradei (São Paulo); 20 – Edward Pacheco (São Paulo)

Rumo à pista e conversa com “ases”

Ao meio dia, mais ou menos, almoçamos, para, a uma hora mais ou menos, partirmos, de automóvel, rumo à pista.

Alguns quilômetros de estrada poeirenta. Chegada. Sol forte. É um verdadeiro verão paulistano o inverno riberopretense.

Local encantador. Tomamos lugar num terraço, em frente à Escola Pratica de Agricultura, cujas janelas já regorgitam de rapazes, que, ansiosos, antecipam a emoção das provas.

Na agradável confusão que ante das perguntas curiosas e “cacetes”, sempre as mesmas, da reporter.

24 de junho de 1949 – O Guidão: Semanário do Ciclismo e do Motociclismo – Orlando A. Guardino (58) empurrando sua maquina para a saída.

 

As impressões de Carmona

Vejamos Sr. Carmona, quais são as suas impressões sobre a pista, as provas, os prováveis vencedores, isto é, os seus favoritos, o publico etc, etc.

E Carmona sorridente responde: – “O lugar é ótimo, sem perigo. Percurso pequeno. A pista é curta e dificulta a velocidade das maquinas de corrida. É preciso muita atenção. Nada de loucuras. Quanto ao resto, tudo em ordem. O público é ótima gente que nos recebeu muito bem.

Qual o seu favorito?

Na de 500, esporte, primeiro Edgard Soares, depois eu.

Tudo em família, não é?

Carmona sorri e continua:

Na principal haverá uma disputa muito forte entre eu, Edgard e Luiz Bezzi.”

Aqui há um aparte do Sr. Mario Ricca, que sente não estar escalado para as provas, pois, afirma, seria um dos mais sérios concorrentes.

Como mais tarde veremos, Carmona não se enganou.

24 de junho de 1949 – O Guidão: Semanário do Ciclismo e do Motociclismo – Hugo Moradei – (9)

A opinião do Indio

Avistamos o Indio (Oswaldo Diniz – 18). Corremos para ele, repetindo as mesmas perguntas. O Índio responde: – “O percurso está de acordo com minha maquina, porque é pequeno. A pista é ótima. Tudo perfeito, como se fosse desenhado de propósito, adrede preparado. Público excelente.

Vou fazer força, porque há gente com maquinas melhores. Mas estou adaptado para a maquina ea pista. A média será de 90 kms horários. Noutra categoria, alguém poderá fazer até 110 kms.

O favorito? Na minha categoria Pagotti, mas vou fazer força para vencê-lo.”

Muito bem, obrigada.

E agora Eloy Gogliano – 13

“O percurso é arriscado. A pista é interessante mas perigosa. Essa prova é minha estréia para o Centauro. Espero uma classificação em terceiro lugar. Na minha categoria os favoritos são Angelo Pagotti e o Indio. Quanto ao público, é interessante, seleto e entusiasta.”

Umas perguntas a Hugo Moradei – 9

Passamos para Hugo Moradei, que fala com absoluta segurança:

“A pista é ótima, mas não para muita velocidade. Os meus favoritos são: Edgard Soares, o vencedor em todas as provas em que competir. Na minha categoria o vencedor é Gogliano. Posso até apostar (uma acumulada). O interesse dopúblico não é muito. É verdade que é cedo, mas a esta hora, a pista já deveria estar repleta. O desinteresse do público é patente.”

Pensamos cá conosco. Barbaridade. isso é que é falar

Edgard Soares – 46

“A pista é muito favorável à mim. Aliás, não tenho medo de pistas. Favorito? Na de 500 e nas outras, sempre meu Tio. (Como se vê, há uma inabalável solidariedade em família). O público é muito agradável e demonstra grande interesse.”

Abordamos Orlando Guardino – 58

“A pista é boa. Ótima. Principalmente para a minha maquina. O favorito, na minha categoria, p Edgard, porque a maquina dele é mais veloz. A prova é arriscada. A velocidade máxima, para mim, é de 110 kms. Quanto às outras provas, vejamos: Na de 500 de corrida, Felipe ou Edgard. Bezzi não tem possibilidades. A maquina dele não é propria para esse circuito. O público é entusiasta.”

No box, com outros corredores

Saimos da pista e fomos procurar outros corredores no box. O primeiro é Hugo Moises, que fala com segurança técnica. “A pista para competidores de maquinas leves é ótima.Para maquinas pesadas, não, porque é muito curta e não tem retas que recompensem o tempo perdido nas curvas.

Os favoritos? Na minha categoria, força livre,  ainda não se sabe ao certo quem vai correr e por isso não posso dizer nada. Na de 500 esporte, Edgard Soares. Na de 250 esp. Angelo Pagotti. O público é entusiasta.”

Vejamos agora, Joaquim Alves, que não poupa palavras nas suas impressões.

“A pista tem um belo calçamento, coisa que nem mesmo em Interlagos, não existe. O lugar é lindo, mas perigoso. Não tem uma reta para se desenvolver velocidade. O terreno não tem o necessário declive. De resto é boa e muito superior a outras, como a de Serra Negra, por exemplo. Os meus favoritos são: Na 500, Edgard Soares. Todos já sabem. Na de força livre, Edgard Soares. Na de 250 cc, só pode ser Latorre. (E aqui não sabemos se é modestia, gentileza ou reconhecimento do valor do adversário. Talvez tudo junto.) O público mostra-se interessado, e em nenhum outro lugar podemos encontrar outro tão camarada como este.”

Otimo Sr. Alves, fala bem e (como veremos) corre melhor ainda.

De novo na pista, com Luis Bezzi

Mas voltemos à pista e falemos com o veterano Luiz Bezzi:

“A pista não é própria para a minha maquina. Não é bem construida, porque as cabeceiras de curva são contra. (Não entendemos muito desses detalhes técnicos, mas confiamos na opinião do corredor.) Meu favorito é o Edgard, que tem uma maquina apropriada. O publico parece entusiasta, mas o local é distante e há falta de condução.”

Muito bem Sr. Bezzié isso mesmo. Não sabemos porque não se cuidou de mais condução. Já parece uma praga.

24 de junho de 1949 – O Guidão: Semanário do Ciclismo e do Motociclismo – Luiz Latorre (3) – Moto Guzzi

Algumas palavras com Latorre

Falamos com Luis Latorre, já alinhado, quase na hora da largada.

“A pista é muito perigosa, e os adversários são todos fortes. De minha parte farei o que puder. Os favoritos… na minha categoria, são Joaquim Alves (será troca de gentilezas?…) Na de 250, Hugo Moradei e Eloy Gogliano. Se conseguir um terceiro ou quarto lugar ficarei satisfeito.”

Em busca dos rapazes de Ribeirão Preto – A emoção de Gavioli

Mas onde estão os rapazes de Ribeirão Preto?… Pelo menos figuravam nas listas de competição… Vamos procurando e perguntando:

O senhor é daqui?

Não, eu sou de Pirassununga!

Ah, mas não vai correr ninguem de Ribeirão Preto?… Onde estão?… Ah… finalmente um, já alinhado também. É Gavioli, que não tem fardamento nem capacete, nem nada, isto é, nem numero… a sua emoção é patente. Ele quase nem pode falar.

“A corrida é uma coisa que a gente nem pode explicar. É uma coisa emocionante. Sendo a minha moto particular, nunca pensei em correr. É a primeira vez que sinto este desejo, tanto assim que não tenho nem numero. (Arranjar-lhe-ão  à ultima hora um capacete, mas correrá sem número mesmo. Aliás, em meio aos outros, todo numerados, isso também é uma identificação.) A pista não é boa. (modestia de casa) Acho que quando a fizeram, nunca poderiam imaginar que seria utilizada numa corrida. é ruim para as maquinas de 500 cc. O público está entusiasmado. É um espetáculo inédito aqui. O meu favorito na 500 cc é o Hugo Moradei.”

E mais um da casa. Alberto Chaguri.

“A pista é ótima, mas seria melhor se fosse no educandário… O meu favorito na 250 cc é Latorre. Na 500 cc, sempre CArmona. O público é muito entusiasta, embora haja quem seja contra a corrida e o motociclismo.”

Não podemos estender a nossa conversa porque a prova logo vai ser iniciada. Também não tivemos tempo de falar com os outros corredores. Gavioli e Latorre foram entrevistados na pista, prontos para sair. Falamos aos gritos e olhando no lábios, como surdos, pois o ronco dos possantes monstros mecânicos , impacientes por disparar, não nos permitia uma conversa normal. Gavioli não tinha numero nem capacete. Recebu um na última hora. Os corredores experimentam as maquinas… *** Os corredores estão alinhados, brilhantes em seus trajes de pelica e seus capacetes de metal. O sol continua escaldante. O edificio da escola de Agricultura regorgita de rapazes e de publico…. **** Nota de Motostory: aqui aparece a primeira falha no jornal, pois parte da reportagem foi recortada…. Segue mais abaixo em… 

… vindo de fora. Não falta o encantamento feminino, alegre e festivo em seus vestidos leves e muiticolores. Em toda a volta da pista, especialmente lá em baixo, perto do lago, o publico aumenta cada vez mais. A esta hora, Hugo Moradei já deve estar se arrependendo de ter dito que “o desinteresse do público  era patente.

Nota de Motostory: Na pagina seguinte novamente a manchete; Estupenda vitória de Felipe Carmona

Vitórias de Gogliano e Joaquim Alves

Preparativos para a… e o texto é novamente interrompido…

…e segue em… – 2a fila: Pagotti (17), José Cirilo (25) e Edward Pacheco (20).

A saida dá-se às 15,20 e a prova é de 40 voltas. 1a e 2a voltas – Pacheco, Indio, Pagotti, Moisés, Cirilo e Moradei. 3a volta A mesma ordem, Moradei passa a frente de Cirilo. 5a Volta – Moradei melhora.

Edward Pacheco mantem maravilhosa e extraordinariamente o primeiro lugar, durante toda a prova, só sendo ultrapassado por Pagotti na 12a volta. Dai por diante sua luta é feroz, tendo como adversários Indio e Pagotti. A ordem Pachco, Indio e Pagotti mantem-se inalterada da 14a à 32a volta, quando se inverte entre Indio e Pagotti, passando este para a frente. Da 32a a 40a a ordem anterior refaz-se novamente: Pacheco, Indio e Pagotti. Na 47a volta o cronometrista anuncio-nos que o melhor tempo… Motostory: Novo corte no texto (que raiva!!!!!) … seguem em…

… ótima, mas é preciso acostumar-se com ela e ter uma maquina muito estável. Não corri na outra categoria por estar doente. Ainda tomei penicila ontem.”

4a e ultima prova – Os corredores aliam-se, experimentam as maquinas.

1a fila: José Cirillo (25), Luiz Bezzi (1), Edgard Soares (46); 2a fila: Alberto Chaguri (80), Luis Latorre ((3), Felipe Carmona (2); 3a fila: Antonio Orlando Guardino (58), Waldomiro Pieski (21)

A saída deu-se às 16,15 horas. !a volta – Carmona, Edgard, Latorre, Bezzi, Cirilo, Pieski, Guardino e Chaguri.

2a volta: Carmona, Edgard, Latorre, Bezzi, Guardino, Cirilo, Chaguri, Pieski.

3a volta: Carmona, Edgard, Latorre, Bezzi, Guardino, Chaguri, Pieski e Cirilo. Essa ordem manteve-se mais ou menos regular até a 13a volta, quando começaram os primeiros atrasos. Na 6a volta a diferença entre Felipe e Edgard é de 2 segundos e 9 quintos. A colocação dos corredores, continua igual até a 27a volta, quando edgard caiu. Assim, na 28a, Luiz Bezzi passa para o segundo lugar continuando assim até o fim. A atuação de Felipe cArmona foi realmente magnifica. Eel manteve o primeiro lugar da 1a à 40a volta com absoluta e evidente superioridade.

24 de junho de 1949 – O Guidão: Semanário do Ciclismo e do Motociclismo – Felipe Carmona e sua NORTON MANX – “Acostumados a vencer!”

Impressões do vencedor absoluto

“Os dois concorrentes mais velhos do motociclismo são Bezzi e eu. A vitória foi muito dura. Os adversários são fortes…”

Luiz Bezzi de Santos, segundo colocado no II Circuito Motociclistico de Ribeirão Preto – 1949 – Escola Pratica de Agricultura – Acervo Edgard Soares / Motostory

E assim terminou com enorme brilho e entusiasmo de todos, a grande jornada motociclistica de domingo em Ribeirão Preto. logo a seguir efetuou-se a entrega dos prêmios após a qual houve dispersão gerla do publico e corredores.. e volta para S. Paulo…

O melhor tempo foi alcançado por Felipe Carmona, que marcou 37 segundos completando uma volta. A distãncia completa de uma volta é de 1.300 metros.

Os resultados técnicos foram os seguintes:

Primeira prova: Categoria de 250 cc – 15 voltas na pista

1o lugar Joaquim Alves, do Piratininga Moto Clube, com 13’38”, 2o lugar Luiz Latorre, do S. E. Palmeiras, 3o, Antonio Gavioli do Ciclo Moto Clube de Ribeirão Preto

Segunda Prova – Categoria de 350 cc – 15 voltas na pista

1o lugar, Eloi Gogliano (escrito com i mesmo), do Centauro Moto Clube; 2o Angelo Pagotti, do Piratininga Moto Clube; 3o Hugo moradei, do Centauro Moto Clube. Nesta prova Olvaldo Diniz desistiu na sexta volta por desarranjo em sua maquina.

Terceira prova – Categoria 350 cc especial e 500 cc (comum) – 30 voltas: 1o Edgard Soares, do Piratininga M.C., 25’2″1; 2o, Felipe Carmona, do Piratininga M.C.; 3o Arnaldo Orlando Guardini, do Piratininga M.C.; 4o , Alberto Chaguri de Rib. Preto; 5o, Arnaldo Razzante, do Velo Clube de Santo André.

4a prova – Força Livre – 40 voltas – 1o Edward Pacheco, do Centauro Moto Clube, com 27’46″4/5, 2o Osvaldo Diniz, do Piratininga com 28’00″4/5; 3o, Angelo Pagotti, do Piratininga Moto Clube, 4o Hugo Moyses, do Piratininga; 5o José cirilo, do Palmeiras; 6o, Hugo Moradei, do Centauro moto Clube.

5a prova – CAtegoria especial de 500 cc – 40 voltas Felipe Carmona, do Piratininga, com 27’13″1/5; 2o Luiz Bezzi, Santos Moto Clube; 3o Luiz Latorre, do Palmeiras, 4o Orlando Guardino, do Piratininga; 5o Angelo Chaguri, de Ribeirão Preto.

Anuncio de Luiz Latorre na mesma edição do jornal “O Guidão”, de 1949 –  Acervo Edgard Soares / Motostory

Notas de Motostory

*Estrada de Ferro Mogiana, que ligava o interior do Estado de São Paulo à capital. Para quem tiver curiosidade, parte da linha ainda está em atividade como passio turístico, partindo de Campinas a Jaguariuna. Mais informações em http://www.mariafumacacampinas.com.br

**F.P.C.M. (Federação Paulista de Ciclismo e Motociclismo) era a entidade que regulamentava as competições de bicicletas e motocicletas no Estado de São Paulo antes da criação da F.P.M. (Federação Paulista de Motociclismo)

 

 

 

 

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